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Conheça os tipos diferentes de meningite e para quais existe vacina

Conheça os tipos diferentes de meningite e para quais existe vacina
IAlguns Estados brasileiros, como Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro, estão em alerta após o aumento de casos de meningite meningocócica tipo C. No entanto, a doença, que tem provocado temor nas populações desses estados, não é a única forma da meningite, embora seja uma das mais perigosas. Isso porque a meningite é uma inflamação da meninge, a membrana que reveste o cérebro e a medula espinhal, e essa infecção pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e outros microrganismos.

Entenda as diferenças entre as infecções e para quais é possível se proteger.

Bacteriana

A meningite meningocócica faz parte do grupo de bactérias responsáveis por causar meningites bacterianas. Esse tipo é considerado por especialistas como uma das formas mais graves da doença, especialmente pela rapidez com que se desenvolve e pelas chances maiores de deixarem sequelas, no caso dos sobreviventes.

“Em geral as meningites bacterianas costumam causar quadros mais graves e letais. Nos pacientes que conseguem sobreviver, ela tem um risco maior de deixar sequelas permanentes”, explica a diretora do comitê de imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Rosana Ritchtmann.

A principal forma de transmissão acontece através de gotículas do ar, especialmente se uma pessoa contaminada estiver próxima. Quando infectado, os pacientes têm febre, dores de cabeça, rigidez na nuca e confusões mentais. Nos casos mais graves, há o aparecimento de manchas avermelhadas na pele.

Por se agravar rápido, a meningite bacteriana quase sempre deixa sequelas que vão desde o comprometimento da audição, perda de membros, até mesmo comprometimento do aprendizado. O tratamento acontece com antibióticos, por vezes aplicados diretamente na veia.

Apesar de ser considerada por especialistas como a forma mais grava de meningite, algumas formas do tipo bacteriana podem ser prevenidas por vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), como é o caso da meningite meningocócica do tipo C – responsável pelos surtos atuais. As doses devem ser aplicadas em bebês aos três, cinco e doze meses de vida. O SUS também oferece a vacina ACWY, para outros tipos de meningite bacteriana, a adolescentes de 11 e 12 anos de idade.

Viral

Menos grave que a bacteriana, a meningite viral como o próprio nome diz é causada por alguns tipos de vírus, entre eles os enterovírus e o da herpes. Essa forma da doença apresenta maiores chances de recuperação do paciente. O próprio sistema imunológico é capaz de combater o vírus em semanas.

Nesse caso, o contágio acontece não só pelo ar, como no caso da bacteriana, mas também através de relações sexuais e pelo contato das fezes de pessoas infectadas. Segundo Rosana, essa maior facilidade na contaminação é a razão pela qual em colégios, por exemplo, a doença se dissemina rapidamente.

“Às vezes, em escolas que têm crianças, você vê um surto de meningite viral que tem relação com a higiene dos brinquedos, que as crianças ficam compartilhando, colocando na boca. Então é uma outra forma de transmissão”, exemplifica.

Entre os sintomas de pessoas infectadas está o mal estar, dor de cabeça e dores musculares. Por isso, durante o tratamento, alguns médicos administram analgésicos nos pacientes enquanto o próprio organismo combate e se recupera do vírus. Antivirais são utilizados apenas em pacientes que tenham alguma imunodeficiência e não há vacinas para prevenir a infecção.

Fúngica

Causada, como diz o nome, por fungos, a meningite fúngica acontece, de acordo com Rosana, em pacientes que já apresentem alguma imunidade baixa. A médica cita o exemplo de pacientes que tenham uma imunodepressão por viverem com HIV, quadro que leva os microrganismos a encontrarem mais espaço para se desenvolver e causar a doença.

Menos comum que a viral e a bacteriana, a meningite pode também deixar sequelas e tem como principal forma de tratamento a administração de antifúngicos. Ela é contraída pelo contato com o fungo, e não é transmitida de pessoa por pessoa. Também não há vacina.

Asséptica e eosinofílica

Assim como a fúngica, as meningites assépticas e eosionofílicas não são transmissíveis entre pessoas. No caso da asséptica, a inflamação não é provocada por um agente infeccioso, podendo ser consequência de um outro problema de saúde, uma reação a medicamentos ou um quadro autoimune. Já na meningite eosionofílica, a infecção é causada por um verme chamado Angiostrongylus cantonensis, que tem como principais vetores crustáceos e moluscos.

Os sintomas das duas formas da doença se assemelham a um resfriado, com dores de cabeça e febre, por exemplo. No caso da eosionofílica, não há rigidez na nuca, diferente das demais formas de meningite.

O tratamento de ambas as meningites é feito através da administração de anti-inflamatórios e corticoides enquanto o sistema imunológico combate a inflamação.